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Yes, We Can! Yes, They made it!
Eles ousarão como a manchete do courrier internacional perguntava.
Muita coisa se pode dizer sobre Barack Obama.
Acho impressionante a energia da sua retórica e a forma como inspirou e contagiou tanta gente.
Veremos o que o futuro nos aguarda mas a verdade é que dentro dos 130 milhões de eleitores, só 12% são negros.
Houve uma barackamania, Obamamania impressionante.
Existem tantas teorias para este seu sucesso e não acredito que uma baste para o que aconteceu.
Até agora do que tenho lido, do que mais gostei foi realmente perceber que Obama na mais ou menos na minha idade não era um puto certinho a achar que tinha pela frente um futuro brilhante. Andava à descoberta, à deriva.
Metade branco, metade negro. Uma parte do Havai, uma parte queniana. Avós que o criaram a toot e o gramps eram brancos, mas o nome martirizou-o muito...
Não foi preciso meio século, como quem diz 50 anos, para que Rosa Parks e Luther King que lutaram pela igualdade, vissem um não 100% branco na Casa Branca.
Rosa Parks, lembro, foi aquela senhora custoreira que um dia recusou-se, por estar cansada, a não se sentar e depois sair do único lugar disponível no autocarro, mas que era destinado aos brancos... para dar lugar a exactamente um branco. Estava cansada, Rosa. Queria por força ir sentada. Não havia lugares nos sítios dos negros. Porquê também esta segregação, deveria pensar ela todos os dias quando enfrentava estes assentos... Pois bem, Rosa não se quis levantar e ainda hoje é recordada pela sua ousadia ou displante diriam alguns na altura.
Luther King, pedia igualdade de outra forma, pedia um boletim de voto. Um direito que achava mais do que merecido. O que tinha este a menos que qualquer outro?? Pois Sr King, há menos de 50 anos pedias que os teus "irmãos" pudessem votar. Um "irmão" teu, chegou a Presidente dos EUA. Do país que tantos problemas de segregação teve, ainda é um pouco acusado de ter. Claro que muitos negros ou não brancos o apoiaram, mas foram precisos muitos brancos para o eleger igualmente.
Tentaram manchar a sua reputação, Obama ficou na sua, pouco se alterou à excepção com a Senhora Clinton, mas quem não se passaria com uma mulher destas que até se vira quando está a perder a dizer que lhe oferece o cargo de vice! Provocadora, só foi longe por usar saia e ter o nome Clinton, convenhamos.
Mas, cuidado, como será a partir de 20 de Janeiro? Não poderemos ter só retórica.
Com um democrata tão apoiado acho que o Mundo deixará de estar de costas voltadas para os EUA tão veemente como tem estado, mas nada garante.
Uma coisa é certa: tanto Obama como McCain, não são democratas e republicanos puros como nós aqui vemos os nossos políticos com a disciplina ao seu partido, eles trabalham com os dois campos de batalha sem medos.
Isso pode ser uma coisa promissora futuramente. Aqui aguardamos. Para já, o recém-eleito, não foi de férias mas também não quer dar muito nas vistas.
Prometeu cachorros para as filhas e deixar de fumar à esposa.
Meio imigrante, típico americano, meio negro, típico americano, 47 anos. 47 anos. Tantos factores que o poderiam pôr de parte... mas passou por Harvard, marcou-a e foi bastante concorrido em ofertas de estágio mas escolheu à sua maneira.
Que virá agora dali?
Uma coisa é certa: ele conseguiu unir os estados, conseguiu os ESTADOS UNIDOS e não só os americanos.
Outra curiosidade é que 91,9% dos americanos na Alemanha votaram Obama.
Esperamos por uma nova era, é certo.
Acabo aqui com a ideia da Oprah: amarelo, branco, negro, vermelho, azul, todos se sentiram unidos no discurso de Obama e votaram nele. Nesta campanha não se sentiu da parte deste inteligente orador um ataque ou oposição a ninguém, mas um esforço de união, de abraçar todos.
Porque, para quem não tem muito a noção, apesar de os americanos nos quererem muito vender a ideia de que são todos muito unidos, acreditem que existem muitas divisões, nem que seja por ser vermelho (republicano) ou azul (democrata).
O medo de que o fenómeno "Bradley" acontecesse foi deitado por terra. Aparentemente não houve grande disparidade em admitir verdadeiramente em quem se ia votar pela cor da pele.
Não esqueçamos, contudo, que existe algo que é fulcral para tudo o que aconteceu, independentemente de tudo o resto:
os últimos anos estiveram a cargo de Bush! - Republicano. Muitos desesperaram pelo seu melhor pela governação Bush. Disso não nos podemos esquecer, sem tirar qualquer mérito a todos os intervenientes. Isso, e Sarah Palin, uma mulher nova, ainda ter uma mente daquelas em pleno século XXI.
Como uma mulher pode pactuar com tais ideias tão conservadoras, repressoras, opressoras, nonsense, que determinam todo o resto de uma vida futura, como o que quer para a filha. Felizmente eu não sou filha dela. Uma mãe apregoa tais ideologias, nem a filha acredita nelas e contorna-as mas mesmo assim, as ideologias falam mais alto do que a liberdade e a modernidade. O status quo e a sociedade com os seus papéis e estatutos falam mais alto e a filha de Palin, perante o mundo inteiro, vê-se forçada a servir de exemplo.
Pode ser que tudo acabe em bem. Na américa ser-se mãe e dona de casa não é mau. ser-se uma mulher que vive para parir e para servir o marido é comum. Será apenas mais uma se calhar.
Para os interessados e com paciência:
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